Sim, esse cara não é um contador de histórias é um poeta disfarçado. Grande poeta!
Não fosse o amor proibido entre a mãe dele e meu avô, Riciotti, ele não teria nascido. Verdade. Proibidos de se amarem, meu avô e a mãe dele não puderam formar família e, assim, nasceu esse sujeito: Rubem Alves.
Hoje, em pleno feriado de Tiradentes, li um texto desse autor sobre “A Solidão”. Fantástico as imagens que se formaram no sistema neurovegetativo:
As florestas são lugares solitários. As multidões fogem das florestas. Por isso amigos são poucos.
Nós vemos o que somos,
Aquilo que sinto, vendo o lago e o por do sol, não é a mesma coisa que você sente, vendo o mesmo lago e o mesmo por do sol.
O Tucunaré sente um profundo prazer de saber que, mesmo depois de assado e dilacerado, servirá de alimento para o insaciável apetite dos humanos, pescadores do rio Xingu. Ah, esses humanos! nem sabem nadar nas águas desse imenso reservatório da vida. Esse prazer é sim, incomunicável. Não adianta explicar. É o sentimento que brota da alma.
A democracia é ave que nada na superfície do mar. Não é peixe das funduras.
E a solidão é dolorida.
Mas há também uma grande beleza, pois é só na solidão que existe a possibilidade de
comunhão. Assim não tenha medo: ” Foge para dentro da tua solidão. Sê como a árvore que ama com seus longos galhos: silenciosamente, escutando, ela se dependura sobre o mar…”






Pingback: Reflexões de um idoso que se recusa a envelhecer. | O Tempo é malgasto e perdido quando não se pensa. É ganho e até recuperado quando se aprende a pensar e se exercita essa função toda vez que a adversidade, seja qual for a feição que ostente, se