Juiz de Fora, julho de 2018
Sou fisioterapeuta por formação universitária e sempre me interessei pelo comportamento do ser humano, assim como, pelas questões psicológicas que envolvem seu desenvolvimento a partir do nascimento.
De uma maneira indireta, e sem perceber, permeei os meandros da mente humana por meio da literatura quer seja através do conteúdo programático da faculdade de fisioterapia, quer seja pelas atividades extra curriculares: programação neurolinguistica, textos de auto ajuda, filmes, etc.
Apesar de não conhecer os trabalhos de Freud, até bem pouco tempo, sempre o critiquei e aos seus seguidores por puro preconceito e, também, por gostar de causar polêmica quando em convívio com os da minha espécie. Percebia a psicanálise como um procedimento terapêutico arcaico no que diz respeito a sua eficácia. Hoje, nos meus 62 anos de existência, vejo com clareza como fui precipitado no meu julgamento.
Lendo e assistindo vídeos na internet sobre comportamento humano fui aos poucos ensaiando uma aproximação com a ciência desenvolvida por Freud, seus mestres, seus parceiros e seus discípulos. São tantos os gurus, coach, xamãs, pseudos terapeutas propondo soluções mirabolantes para atingirmos o sucesso e a felicidade que ficamos perdidos num mar de teorias fantasiosas e enganosas fáceis de perceber a medida que intuimos a falta de substanciedade destas pseudos ciências fraudulentas, se não, apenas entretenimentos para menos avisados e carentes de “afetos divinos”.
Não me lembro mais como aconteceu, sei que buscava um conceito mais amplo sobre o “EGO”, “ID”, “consciente” e “inconsciente”, quando fui direcionado para as “Obras completas de Freud”, mais especificamente, o volume XXI (1927-1931) “O Futuro de uma Ilusão”. Comecei a ler a obra e fiquei fascinado, apaixonado mesmo!. Epa!, pensei: esse Freud não foi o que eu imaginava. Uma leitura prazerosa, esclarecedora e motivadora da busca pelo entendimento da psique. Não deu outra, baixei toda sua obra, se não me engano 23 volumes e me propus a focar minha leitura nesse conteúdo. Terminei de ler O futuro de uma ilusão e iniciei a leitura do volume VII (1901-1905) “Um caso de histeria”. Foi quando tive um “insight”: – preciso me analisar o mais breve possível e porque não fazer o curso de psicanálise se estou apto a estudar?
Confesso que essa minha experiência com a leitura sem a intenção acadêmica me seduziu e que ao iniciar o conteúdo programático do Curso fiquei um pouco frustrado, pois começaram leituras que no meu entendimento me afastavam do fascínio pela obra de Freud. Muitas ideias divergentes, muito jogo de vaidades, pouco foco no “objeto”, etc. A representação que fiz foi que o Curso seria uma repetição do curso de fisioterapia no sentido de que haveria um desperdício de tempo com teorias de autores querendo ser mais, aparecer mais, do que o mestre quem implantou o alicerce de uma ferramenta que proporciona o entendimento cada vez mais profundo da psique e consequentemente do ser humano e suas questões existenciais. É, mais maduro hoje, resolvi insistir e seguir a orientação educacional. Comecei então a entender a complexidade do universo onde estou me adentrando e que a leitura não só é fundamental para o entendimento do que é psicanálise e sua proposta,como também, capacitar o aluno em seu censo crítico sobre o tema, tanto na teoria (academia) quanto na prática (clínica). É preciso desenvolver uma opinião própria a respeito do que é Psicanálise e sua utilidade. É preciso ter uma visão o mais ampla possível da diversidade dos meandros da mente humana, da aplicabilidade das análises baseada no contexto atual e cultural do analisando, assim como, o resultado dos impacto de “insight”(s) no paciente (analisando).
Há que se tomar cuidado com os exageros e as vaidades dos profissionais. Há que se respeitar, e não perder o foco, das expectativas de quem busca o processo psicanalítico, entender bem o propósito da busca de ajuda.
Termino o módulo 1 do Curso com esta prova e minha expectativa não é em relação a média atingida para seguir em frente, e sim, checar se absorvi bem o conteúdo teórico, o qual para um primeiro contato é complexo para o iniciante na matéria. Estou bastante curioso e motivado, e por que não dizer ansioso, para continuar em frente nesse novo desafio na minha vida, tanto pessoal quanto profissional.
Espero que meu inconsciente não boicote esse meu desejo consciente de ser analisado e me capacitar para ser um profissional cada vez mais capacitado a lidar com pessoas, pelo menos entendo assim, e que meu superego se alinhe com esse desejo.
Acredito que a leveza e a transparência das palavras, assim como, a boa intenção das ações e atitudes são fundamentais para o pleno êxito das relações, quer sejam elas no sentido analista > analisando, analisando > analista, quer sejam mestre > discípulo, discípulo > mestre, se é que podemos nominar desse modo os atores envolvidos nesse cenário que se deslumbra.




