A essa altura do meu envolvimento com o Curso de Psicanálise, não tenho mais dúvida alguma: é preciso incluir no conteúdo programático das escolas a matéria Psicanálise, nem que seja opcional, isso a partir do segundo grau até a formação universitária. Vejo com muita clareza os benefícios dessa implementação nas escolas e universidades. A ideia não está relacionada ao acompanhamento psicológico, muito menos, para fins terapêuticos. Seria uma forma ampla, mais abrangente e menos elitizada, de levar aos estudantes o mundo fascinante da mente humana, em didática adaptada às diversas faixas etárias, muito bem descrita por Freud.
Entender a teoria psicanalítica é tão importante quanto conhecer nosso corpo físico. Freud deu o pontapé inicial na sistematização do aparelho psíquico. Isso é tão importante quanto os conceitos para formação na nossa imagem corporal, a qual podemos ver: cabeça, tronco e membros.
Acredito que se as neuroses, psicoses e perversões fossem compreendidas pelo cidadão comum, essas seriam facilmente identificáveis no ambiente social e seus portadores tratados com mais atenção no sentido de uma melhor qualidade de vida para todos. Aliás, muito dos preconceitos até hoje existentes em relação à procurar uma análise com fins terapêuticos deixariam de existir. Há um tabu de que o desequilíbrio emocional está relacionado a maluco, a distúrbios psicológicos que precisam ser tratados em casas de saúde (melhor seria centrais de tratamentos de doenças). Muito sofrimento seria evitado se os distúrbios psíquicos fossem diagnosticados e tratados a luz da Psicanálise, um tratamento natural no qual o responsável pela cura é o próprio paciente (analisando).
Conhecer os sistemas mentais é de suma importância, e de fácil compreensão: consciente, pré-consciente e inconsciente. Não se trata de uma doutrina, mas de conceitos que ajudam na compreensão dos mecanismos psíquicos e de produção do pensamento.
“No inconsciente a cronologia não existe, e tampouco no sonho. Na vivência onírica podem ocorrer casos em que o tempo e o espaço estejam totalmente ausentes. Carecendo de sentido cronológico, o inconsciente não reconhece passado nem futuro, mas apenas um presente. Todas as tendências são vividas pelo inconsciente no tempo atual, inclusive
quando se referem ao passado ou ao futuro. Um paciente de 35 anos lutava inconscientemente contra a autoridade paterna, apesar de seu pai ter falecido quando ele tinha apenas oito anos de idade.” Apostila 3 – O método psicanalítico pág. 23 e 24.
Saber o que tem que ser feito é importante, como tem que ser feito também, assim como, porque tem que ser feito. Então, porque mesmo assim não o fazemos, em muitas ocasiões? Freud buscou a resposta, e a encontrou: porque o inconsciente é poderoso na formação do nosso pensamento e na geração das chamadas “catexias de energia”, combustíveis do pensamento que precisam se empregadas de algum modo, nem que for no corpo físico em forma de doença somática. O inconsciente é pois poderoso na formação de um determinado comportamento ou sentimento, porem, ele é regido pelo principio do prazer, ou seja, é um “bebezão” em busca de satisfação dos seus
desejos.
Onde um ladrão que está fugindo da policia encontra forças para saltar um muro de 3 metros de altura? Com certeza se ele parasse para examinar as dimensões desse obstáculo e as possíveis consequências, ele não o transporia. Foi uma decisão pessoal irracional, intuitiva, condicionada a uma força interior no sentido de preservação de sua
liberdade. Essa força pode ser considerada como resultado da catexia de energia mental produzida a nível inconsciente. Porque um tema tão importante, que traria benefícios para o desenvolvimento do ser humano e que melhoraria de forma significativa a vida do individuo e da qualidade das relações, não pode ser estudado nas escolas, como é a matemática, a língua, a história, etc?

Gata de arame – acreditem: essa obra foi feita com um único fio de arame, sem cortes.
Certo dia, quando estava sentado numa mesa de bar confraternizando com amigos, aproximou-se um rapaz com uma figura feita de arame: uma motocicleta. Trabalho fantástico, uma obra de arte no meu modo de entender. Fiquei tão sensibilizado, porque não dizer curioso, que perguntei ao artista como ele fazia aquilo. Ele disse que poderia fazer uma figura caso eu quisesse ver o processo. Pois bem, pedi a ele que fizesse uma gata, no que ele prontamente pegou um rolo de arame na mochila e um alicate e começou a “desenhar” a figura que pedi. Torce dali, torce de cá, não dá um corte! De repente, coisa de 3 minutos, está pronta a figura de uma gata. Fiquei realmente admirado com a habilidade do rapaz e mais ainda, dele fazer a arte sem parar um segundo para pensar, medir ou mesmo examinar. Perguntei para ele de onde vinha toda essa habilidade. Ele disse que não sabia, simplesmente ia torcendo o fio e a figura sai de acordo com o pedido do cliente. Qualquer coisa? Sim qualquer coisa. Mostrei para ele a foto de um cachorro. Ele olhou para a foto por alguns segundos e começou a torcer o arame. Em pouco menos de 3 minutos estava pronto a replica do cachorro da foto!
O relato acima relata a catexia de energia mental sendo extravasada de maneira artística. Acredito que se esse rapaz encontrou a forma socialmente aceita para descarregar essa energia que caso contrario poderia deixá-lo angustiado, sabe-se lá porque.




