Atravessei o rio achando que o mais difícil tinha ficado para trás. Mas foi logo depois da travessia que a cidade apareceu.
Alta.
Antiga.
Silenciosa.
Jericó não gritou ameaças. Ela apenas ficou ali,
lembrando quem eu fui quando ainda tinha medo.
Não lutei. Aprendi a andar em volta.
Dia após dia. Passos repetidos. Coração em silêncio. Por fora, nada mudava. Por dentro, algo se alinhava.
Caminhei quando queria correr. Calei quando queria explicar. Confiei quando não havia provas.
Até que um dia não precisei gritar.
A verdade em mim soou sozinha. E então caiu.
Não porque eu ataquei, mas porque já não havia o que a sustentasse.
As muralhas desabaram como caem as certezas falsas: sem barulho, sem saudade.
Não reconstruí a cidade. Algumas coisas não se reformam. Encerram-se.
Do que caiu, salvei apenas o que era vivo em mim: a lucidez, a integridade, o fio invisível da coragem.
Segui em frente mais leve, mais inteiro, sabendo: Quando a mudança é verdadeira, o que nos prendia não permanece de pé.



Não entendi nada ainda.
Bônus:
As raizes:




