Chica olha da sacada
vê moleque com recado
fica logo aborrecida
já pensando em seu amado
Manda pegar o moleque
seu tal escravo “Cabeça”
botar os pés pras piranhas
o resto, deixar que apodreça
Boatos iam e vinham
sobre o seu fiel doutor
mas ela não fazia cenas
na frente do seu “sinhô”
Planejava às escondidas
nas noites de insônia que tinha
tudo o que o ciúme ditava
em macabra ladainha
Mandou enterrar a irmã
do moleque do recado
viva, de pé no quintal
como troféu do pecado
Deceparam-lhe a cabeça
logo cedo de manhã
enquanto a Chica cuidava
da sua pele de avelã
Outra, teve outro destino
não muito longe dali
foi jogada por “Cabeça”
no poço prá sucuri
Um dia viu um casal
de negros do seu “rebanho”
que carregavam naa bateia
filho branco a tomar banho
Logo ficou furiosa
isso não é possível não
julgou ser filho do amado
e o lançou no ribeirão
Jogou na vida outras tantas
que lhe cruzaram o caminho
apenas abrindo a boca
pro resto se cumprir sozinho
E um dia humilde escravo
lhe olhou por um instante
mandou castrar o negrinho
pra não ser tão petulante
Esta é a Chica que manda
manda em tudo quanto há
pois ela controla o povo
mas não sabe se domar.
Marcial Ávila





Alguns sábios afirmaram que a ira é uma loucura breve
A ira nunca deixa de ter uma razão, mas raramente tem uma boa
Beijos
Gostei de ver os poemas que escrevi para ambientar a exposição “sete Vezes Chica”aqui, obrigado por divulgar minha obra! Marcial Ávila