Quarto dia no Caraça – 12-03-2011

Sábado, 12/03/2011, quarto e último dia de nossa estadia no Parque Natural do Caraça, um lugar sagrado. Meu lugar sagrado.

Hum!!!o quarto está escurinho, silencioso, gostoso. São 7:00 horas da manhã, dia de fazermos nossa última grande “peregrinação”: ir a Bocaina, uma caminhada de 5 km pelo campo da mistura. Abro a janela e…o tempo está para tempestade! Mas já entramos no ritmo da natureza. Sabemos que hoje é dia de conhecer a Pedra da Preguiça, a Bocaina que chora, fotografar o Gigante Adormecido. Levantamos tomamos nosso delicioso Café da Manhã e sem pressa nos

preparamos para a grande aventura. Rumamos para o Santuário, mas antes damos uma paradinha num dos únicos lugares onde tem sinal de celular, para a Patrícia matar a saudade de casa e dar notícias à família (claro saber se estão cumprindo com suas recomendações!). Não é que o tempo começa a melhorar em cima de nossas cabeças? Mas as nuvens são aquelas que aprendemos no jardim de infância: nimbostratus da melhor qualidade, ou seja, via chover mesmo!!!

Mas isso não importa, viemos aqui para fazer parte da natureza.
Deixamos o carro na entrada da trilha mesmo, para ganhar tempo, e partimos para a jornada. O tempo continua ótimo, sobre nossas cabeças. Na bifurcação Cascatinha ou Bocaina, seguimos pela opção da direita: Bocaina – 5 km. Penetramos dentro da mata fechada, mas com uma trilha bem conservada. Eis que surge o Rio Caraça a nossa frente. Cheio, apenas com algumas pedras para serem

usadas como apoio para a travessia. Molharemos os pés com certeza. Mas a Path animada como sempre, começa a estudar o trajeto, pedra, pedrinha, pedrona, essa escorrega, essa não…pronto já estamos do outro lado. Mole e emocionante. Nossos labirintos são estimulados e nosso equilíbrio melhora. Neurônios adormecidos despertam! A caminhada é fantástica, plana, em vegetação típica dos campos de altitude. O tempo está fechado, mas não sentimos que vai chover. Isso é bom, porque tampa o sol e desse ponto em diante não há mais árvores. A paisagem é maravilhosa!!! Vamos caminhando paralelo à majestosa Cascatinha. A Caraça vai se configurando. Um momento sublime em nossas vidas. A sensação de Paz é pulsante.

Chegamos a Pedra da Preguiça onde, segundo dizem, é o melhor lugar para fotografar o Gigante Adormecido (a Caraça, seu pescoço e seu torax). É verdade. O visual é perfeito para se ter a compreensão do porque do nome “Serra do Caraça”. Sentamos para admirar a paisagem e emoldurar nas nossas mentes aquela visão que poucos terão oportunidade de ver. Nos consideramos dois privilegiados.
Nossos neurônios urbanóides se ligam.

Admirando a paisagem em volta, avistamos, no horizonte, a tempestade que se aproxima. Vem em nossa direção e no caminho de volta não haverá abrigo. Contrariados e preocupados com a travessia do Rio Caraça, apertamos o passo (gastamos 1:15 de ida – voltamos em 40 minutos!) Tolice, mas enfim, a desintoxicação ainda não está completa. Como gostávamos de brincar na chuva quando éramos crianças, como brincamos e nem por isso morremos, não é verdade? Porque a pressa? Porque o medo?

Mas Eu ainda encontro um jeito de brincar e agradecer nosso presente. Poso para apontar o nariz da Caraça. Estou feliz demais!
Conseguimos. Chegamos no carro antes da tempestade. Tivemos noticias, pelo Pe. Maurício que na Fazenda a chuva foi torrencial. Mas nossa parceria com São Pedro continua mais firme do que nunca. “Qué sabê” vamos sentar no butiquim local e tomar uma gelada antes do almoço, merecemos! Sentamos, prozeamos, rimos

muito do nosso aperto (medo de chuva. Eu heim?!?!?!?). Fotografamos o belo Carvalho que posava naturalmente à nossa frente, como uma bela modelo querendo ser fotografada. Chove, chuva fina, mas que vai aumentar. Graças a Deus a Path não é de beber, se não acho que não sairia dali. Estava bom demais!!! Mas como a Imperatriz-Diretora da peregrinação é exigente demais, e o escravo fiel, ela propôs uma visita à Capelinha após o almoço, caso o tempo

melhorasse, subimos para o almoço. Nota: desde que não tivéssemos que escalar mais, claro. Estamos pregados.
São 13:09.
Durante o almoço, sem pressa, saboreamos nossa ultima refeição no Santuário, quer dizer, Eu saboreie, pois a Imperatriz não almoça, nem janta. Impressionante, nunca vi isso.Aproveito para tirar mais uma foto dos telhados da casa através das janelas. São mesmas muitas as formas que cobrem esse “labirinto”. Bacana.
Temos fé que a chuva vai melhorar e,assim, poderemos subir até a Capelinha. Enquanto isso não acontece, São Pedro deve estar fazendo a sesta, fomos visitar o Museu. Sempre é bom conhecer um pouco da história dos locais que visitamos.

A história do Caraça é fascinante. Registro da fé, determinação e persistência de um homem e de uma Congregação.
O tempo melhorou. Vamos visitar a Capelinha: construída por volta de1862, no superiorato do Pe.Sípolis, foi construída a capela do Sagrado Coração de Jesus, a uns 1.500 m a leste da Casa e a uns 200 m. acima. Levantou-se, ao lado, um sobrado de dois andares com acomodações para 20 pessoas. Estando muito cheio a Casa do Caraça com

o Seminário e o Colégio, pensava-se em estabelecer, lá em cima, o noviciado e o lugar de repouso dos missionários. O tempo provou que o local era inadequado. Hoje, ao lado da Capelinha, encontramos apenas as ruinas de um sonho.
Prometemos que não iríamos “escalar” mais, mas a vontade de conhecer a Capelinha e sentir a energia da sua história falou mais alto. A caminhada é uma aventura leve, que exige atenção devido aos precipícios, perigos de escorregões. Embrenhar na mata fechada e contemplar das alturas são nossos vícios.

A Capelinha do Sagrado Coração de Jesus foi restaurada, como promessa feita a Deus, no Superiorato do Pe.Francisco Silva, que pediu que o Caraça ficasse livre da terrível doença do beribéri,que foi erradicado do Caraça em 1935.“Até 1968, pelo menos, a festa do Sagrado Coração de Jesus era celebrada no local, com Missa Solene…e Bodega (pique-nique)”Caraça, Peregrinação, Cultura e Turismo – Pe. Tobias Zico – pág.71. Mais uma vez, somos presenteado com uma bela paisagem, um exemplar de Sempre-viva (nossos fogos de artifícios) e uma energia Divina. Registramos em fotografias para compartilhar com amigos e pessoas interessadas em conhecer uma das “portas” do Céu: O Caraça.

Bem, cheguei ao final da saga do Caraça. Me sinto feliz e agradecido a Deus por ter me proporcionado a realização de um sonho que teve seu início em 1979: uma profunda paixão surgiu, inexplicavelmente, na minha alma por esse local. E me sinto mais realizado ainda por poder escrever e compartilhar essa experiência amorosa com pessoas de bem. Não é preciso muito para ser feliz. A felicidade bate à nossa porta todos os dias: nossos filhos, a natureza, os amigos, nossa saúde, nossa paz interior. Esse é o fim de um novo começo!
PS: Reconheço, publicamente, que sem minha musa inspiradora Patrícia França, uma pessoa carinhosa, gentil, educada, linda, de coração puro, que cruzou meu caminho não faz muito tempo, Eu não teria coragem para escrever esta saga. Muito obrigado Path pelo seu afeto e pelo seu amor. Um grande beijo.

Publicado em Arte | Com a tag | 3 Comentários

Terceiro dia no Caraça – 11-03-2011

Sexta-feira, 11/03/2011 – Dia do primeiro grande desafio. Agora é pra valer: Subir no Morro do Cruzeiro. O tempo não está bom para seguir até a Cascatona. Essa vai ficar para a próxima. Nesse terceiro dia, também de céu nublado, sujeito a tempestades, após o café da manhã na Fazenda do Engenho, seguimos rumo ao Santuário, examinando o tempo, interagindo com São Pedro, com objetivo de fazer nossa primeira grande “caminhada”, que acabou tornando-se uma pequena e desafiadora escalada. Destino: o topo do Morro do Cruzeiro. 800 metros apenas!
A caminho, ainda de carro, paramos no Mirante de baixo, antes da Casa da Ponte, logo após o Mirante da Chegada, para fazer uma foto do prédio principal do Caraça. Uma bela vista também. Como é imponente a Catedral Nossa Senhora Mãe dos Homens! A construção é em estilo gótico, sendo os prédios laterais (dois enormes blocos destinados à hospedagem, moradia dos padres e refeitórios) em estilo colonial (barroco?!?). A arquitetura em perfeita harmonia, como num carinhoso abraço.
Bom, iniciamos nossa caminhada para “conquista” do Morro do Cruzeiro. Descemos em direção à Casa das Sampaias. No caminho paramos numa das mais charmosas atrações turísticas: a pedra sabão onde D.Pedro II escorregou em 1881. Devidamente identificada, a pedra em perfeito estado de conservação é fotografada para nossos registros. Passamos ao lado da Casa das Sampaias, cuja construção foi devidadamente restaurada e está em bom estado de conservação. Chama-nos atenção o alicerce de pedras. Engenharia do século XIX. Seguimos por uma trilha ao lado do Casarão, entrando na mata exuberante. No início da trilha caminhamos por blocos de pedras, bastante escorregadias. É o caminho para a Cascatona também, destino que ficou para a próxima visita. De repente, apesar de todo o cuidado, a Patrícia que caminhava na frente, escorrega e vai ao chão. É a vingança do escravo, que foi muito maltratado e espancado pela Imperatriz. Ela levanta, se recompõe e…cai novamente. Rimos muito, pois enfim, o escravo vingou-se de sua perversa Dona. Humilde, a Imperatriz reconhece que precisa ter mais cuidado e que tem, agora, que andar com as próprias pernas.
Seguimos na jornada, sem saber que encontraríamos pela frente um verdadeiro “paredão” e no final uma escada de ferro para chegar ao topo, onde está o Cruzeiro. No caminho, eis que surge mais uma Sempre-viva. Linda, florida, explodindo como fogos de artifício para saudar-nos a cada passo vencido na “conquista” do objetivo.
Ufa!!!, chegamos ao pé de uma “verruga” de pedra onde, no topo está o Cruzeiro, e de onde se tem uma das mais belas vistas do Santuário. Claro, chegamos até aqui, logo, temos que vencer os degraus da escada de ferro que leva ao cume. Certificamos da firmeza da precária escada e, confiando em Deus (desculpe ai) subimos. Dois loucos levados pelo desejo de chegar ao objetivo. Subimos sem olhar para baixo. Estamos no cume, numa plataforma de pedras firmes, porém, qualquer vacilo será fatal. Sento numa pedra, confortavelmente, para, ai sim, me inteirar de onde estou. Sem palavras: é emocionante!!! Somos presenteados com uma vista magnífica de boa parte do Parque Natural do Caraça. De repente, surge, como que inspecionando quem eram os invasores de seus domínios, um simpático lagarto esverdeado, que após certificar que não faríamos mal à sua morada, posou para algumas fotos e foi-se. Ficamos extasiados com a paisagem. Pausa para meditar e contemplar. O que leva alguém a aventurar-se para chegar num lugar como esse e simplesmente observar? Posso dizer que são muitos os pensamentos nesse momento. Não há explicações, não há motivos, apenas sentimos…não é preciso compreender, nem ser compreendido. Uma experiência íntima, uma atitude pessoal. Não é para todo mundo, Eu sei. Sei, também, que é muito bom quando atingimos objetivos que são definidos pelo coração. A sensação de superar obstáculos e ver que o resultado supera às expectativas é uma das coisas mais gratificantes que podem acontecer na vida de uma pessoa. É a prova de que a Fé remove montanhas. E, para experimentar essas sensações não é preciso ir a Lua. As conquistas podem estar nas coisas simples da vida. Cada um na sua alegria de viver a seu modo, contribuindo para um mundo melhor. Aqui agradeço a Deus pela maravilhosa companhia da Patrícia que, com sua disposição e alegria, contribui para realização desse meu sonho. VIVA A VIDA, SEMPRE VIVA!!!
Passamos um bom tempo (não tanto quanto gostaríamos – ainda estamos intoxicados pela pressa e horários) naquele lugar divino e iniciamos nossa descida de volta para a Terra. Não vou entrar em detalhes como foi minha descida dessa “verruga” de pedra, mas deu pra perceber que não posso mais voltar, pelas limitações próprias da idade (joelho, coluna, medos etc). Mas que satisfação!!! Fomos almoçar e comemorar nossa “vitória”. Sentamos no refeitório do lado do Bar e, antes de almoçar, começamos a tomar uma deliciosa cerveja gelada, conversamos sobre nossa excursão, filosofamos, enfim, jogamos conversa fora. Claro, não esquecendo de registrar aquele momento: fotografar a paisagem através das janelas. Como são tortuosos os telhados do Caraça!Chove.

Publicado em Arte | Com a tag | 3 Comentários

Segundo dia no Caraça – 10-09-2011

Quinta-feira, 10-09-2011
Acordamos, céu nublado, montanhas encobertas por nuvens pesadas. Chuva na certa! Mas São Pedro é nosso sócio, sei que Ele vai entender nossas necessidades e colaborar. De qualquer maneira o que vier do céu será bem vindo, afinal, fazemos parte do ciclo natural. Descemos para tomar café, um delicioso café da manhã. Nos corredores de acesso ao salão demos de cara com dois belos pavões. As aves pareceram não se importar com nossa presença, e logo se fizeram de sonsas e postaram para fotografias.
Ficamos alegres com a presença dos nossos companheiros, sim, não havia ninguém hospedado naquele enorme casarão. Mesa posta para dois, com tudo que temos direito. Bolo caseiro, leite e queijo da fazenda, biscoitos, frutas deliciosas, suco natural etc. Como o simples pode ser um luxo! Ficamos ansiosos para conhecer o autor de mugidos fortes e constantes, verdadeiros estrondos. Saciados novamente, logo de manhã cedo. Que privilégio. Cada um agradece a Deus ao seu modo, e partimos para nossa segunda excursão no Caraça: taboões, piscina e se o tempo colaborar a Cascatinha. Patricia, a Diretora, diz que não vou poder dormir depois do almoço. Até torço para chover muito, ai poderei fazer a sesta conforme os ensinamentos divinos (rsrsrsrs).
As nuvens pesadas vão passando em direção ao Santuário, e o tempo aqui em baixo melhorando. Pegamos a estradinha de terra rumo aos nossos destinos, claro parando para fotografar, filmar, gravar os sons. Fixar a paisagem nas nossas mentes. O som do carro, que tinha estragado, volta a funcionar!!!
Chegamos ao Taboões, estacionamos o carro na beira da estrada e seguimos por uma pequena trilha. Caminhada tranqüila apesar de alguns pontos de alagamento por causa das chuvas constantes, mas que Pe. Maurício já tinha nos alertado. Uma aventura leve para testar os ânimos. Um teste para aquecer a vontade de “conquistar” os objetivos pretendidos. Flores silvestre por todo caminho. Coloridas, de todas as formas, claro, um prato cheio para o meu jardim no Flickr “Uma flor é muito mais que uma simples forma elegante. Nela encontram-se tesouros inimagináveis, que podem estimular o pensamento.
De repente, no nosso caminho, avistada pela Patrícia (claro ela estava na frente!!!), meu sonho de consumo “herbárico”: uma enorme sempre-viva, a planta em extinção da Serra do Espinhaço (Serra do Cipó). Que nem menino quando ganha o presente dos seus sonhos esqueci dos Taboões e comecei a fotografá-la como a um troféu. A inocência da infância aflora! Tem que ter muita paciência nessas horas com a atitude egoista do artísta. Mas Eu estava feliz demais diante daquela maravilha da Natureza. Depois encontraríamos outros exemplares, mas Eu não sabia. Seguimos para o Taboões. A trilha se divide e fomos pela que conhecia, à esquerda. Porém, ao chegar nas corredeiras só deu para registrar o enorme volume de água (a distância). Não tinha um lugar para ficar apreciando. Fotografei para registrar e resolvemos voltar para pega a trilha da direita e ver onde ia dar. Dois aventureiros de plantão. Não é que fomos novamente presenteados? Chegamos num lugar esculpido pelas águas do ferruginoso Rio Caraça. Um poço de águas cor de cobre, translúcidas e calmas. Pedras para sentar. O som? Só nossas vozes e o produzido pela corredeira.
Paramos um tempo para meditar, contemplar, prozear, fotografar, registrar em nossas mentes aquela paisagem. Emoldurar na memória aquele momento divino. Um lugar daquele só nosso!!! Deve ser horrível cheio de gente, pensamos de maneira egoísta. Sabemos que esse lugar deve ser respeitado, preservado e compartilhado com outros seres humanos.
O sol aparece, as nuvens continuam indo embora, já podemos ver o azul do céu. A vontade é ficar mais, mas o desejo de conhecer outros atrativos é maior. Aproveitamos que o tempo melhorou e seguimos “viagem pelas terras do Caraça”. Fomos para a piscina. Detalhe: não entramos nas águas nenhuma vez! Não fomos preparados para isso. Afinal o tempo estava indicando tempestade, mas como muda rápido lá! Aprendemos isso.
O tempo melhorou consideravelmente, mesmo assim, sentamos na borda da piscina para colocar os pés naquelas águas geladas e abençoadas. Sensação boa! Um banho na Alma. Conversamos, conversamos, conversamos…De repente lembramos que existem horários, que precisamos nos alimentar, beber água. Consultamos as horas: são 12:06. Sinal que ainda estamos intoxicados pelas necessidades e regras humanas neuro-básicas. Na verdade estou com fome, e lembrar da culinária do Caraça atiça meu apetite.
Uma observação: ao se embrenharem na mata, observem as árvores e a presença das enormes caixas de marimbondo. Eles não vão te perdoar se os incomodar. Afinal de contas é território deles!
Fomos almoçar. Choveu muito durante e depois do almoço, aproveitamos para visitar o Centro de Apoio ao Turista, assistir o filme sobre o Parque Natural do Caraça, pedir orientações aos Monitores sobre passeios, etc. O tempo melhorou, fomos para a Cascatinha. As imagens ficaram gravadas na nossa mente apenas. Para variar a bateria da máquina fotográfica desgarregou toda. Droga!!! Deixamos de regitrar a nuvem de borboletas amarelas, o macaco prego que veio nos saldar e fazer graça nos galhos das árvores e um tremendo arco-íris (de ponta a ponta) bem do nosso lado. Uma imagem inesquecível. Fiquem com as imagens e a música do vídeo abaixo, que retrata muito bem nossa experiência:

Publicado em Arte | Com a tag | 3 Comentários

Apresentando o Caraça

Primeiro dia, 09 de março de 2011. A chegada. A chegada foi por volta das 15:00 horas. Nos instalamos, Eu e Patrícia, no Casarão da Fazenda do Engenho. O Casarão foi reformado e preparado para receber hóspedes que optam por ficar em local mais tranquilo. Gosto de me hospedar nele, porque dá um gostinho de estarmos isolados numa fazenda. Um lugar bucólico, simples, impecavelmente limpo e cheiroso.Fica a 10 km do prédio principal, com acesso por uma estradinha de terra (uns 800 metros mais ou menos do asfalto), logo à direita do portão de acesso ao Parque Natural do Caraça. Lá somos recebidos pelo “governador da Província” o simpático e sempre solicito às perguntas dos curiosos turistas, o Padre Maurício. Uma vez instalados, fomos dar uma volta a pé pela propriedade em torno do Casarão. Visitar as dependências: o rancho, o galinheiro, o pomar, o jardim. Conectar à natureza, deixar para trás as “intoxicações” da vida urbana. Fizemos as primeiras fotos. A percepção que alimentamos nossas almas e espíritos de energia vital é muito clara. Podemos sentir o cheiro do, abundante, Prana.Sentamos na varanda, num daqueles enormes bancos de madeira de lei maciça. A prosa flui naturalmente. É a paz se instalando nos espíritos. A sintonia com as nossas origens alegra nossas mentes e pensamentos. A paisagem é deslumbrante. O silêncio, a princípio, assusta e ao mesmo tempo nos acalma. Pausa para meditar. Hora de esquecer o trânsito da BR-381.
Entramos no Paraíso!
Estamos revilizados. Hora de subir a serra e dar “alô” ao Santuário. A Patrícia faz sua primeira visita. A felicidade está estampada nos nossos rostos. A Natureza nos recebe de braços abertos. Não nos cobra nada, apenas está ali, por todos os lados. A medida que avançamos ficamos cada vez mais alegres. Momento pleno de felicidade!
Chegamos ao Mirante, o ponto mais alto da estrada, de onde se tem uma panorâmica do que vamos encontrar. De lá podemos identificar alguns dos pontos que visitaremos: o prédio principal, o museu, o casarão das sampaias, o Morro do Cruzeiro (Ufa!!!! – mas fomos e valeu a pena.), a Capelinha, a cascatinha, a bocaina, o calvário etc. Uma vista bem ampla.
Respire,
respire o ar. Não tenha medo de se preocupar. Vá embora, mas não me deixe de procurar ao redor, e escolha seu próprio chão. Por mais que você viva e voe alto, os sorrisos que você vai dar, as lágrimas que vai chorar, tudo que você tocar e ver, é tudo que sua vida sempre será.
Saciados, seguimos em direção ao Portal do Santuário, a Casa da Ponte e a travessia sobre o Rio Caraça, passando sobre uma estreita e pequena ponte. Dai para frente é apaixonar-se ou odiar. Você ficará encantado ou não aguentará a paz, o sossego, a exuberante natureza, o silêncio. Deixamos o carro estacionados e vamos andar a pé. Atravessar a ponte, ver o rio e ouvir o canto das águas. Vamos ler o que as corredeiras tem a nos dizer. Vamos sentir um pouco da história do local e viajar na mente, imaginando como foi que Irmão Lourenço de Nossa Senhora (Carlos Mendonça Távora), fundador do Caraça veio parar aqui no ano de 1770 e, já, em 1779 inaugurava a igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens. Quem ajudou o Irmão Lourenço a construir esse Santuário? Porque veio construí-lo em lugar tão ermo e, até hoje, de tão difícil acesso?
“Estas e outras perguntas, todo visitante as faz, ao chegar ao Caraça. Um deles, o sábio Auguste de Saint-Hilaire, esteve com o próprio Irmão Lourenço, em 1816 e deixou para nós em seu livro “Viagens pelo interior do Brasil” cinco belas páginas sobre o Caraça” – pág. 12 do livro CARAÇA – Peregrinação, Cultura e Turismo, de Pe. José Tobias Zico C.M.
Seguimos de carro até o estacionamento do prédio principal, onde o impacto do visual começa a afetar-nos. A imponência da Catedral Gótica, Nossa Senhora Mãe dos Homens, o jardim, a mata do entorno, o silêncio. Tudo encanta, principalmente quem chega pela primeira vez. Patrícia fica admirada com a beleza do jardim e logo já começa a “dirigir” os melhores ângulos para fotografar os detalhes que ficarão registrados, também, nas nossas mentes para sempre, quem sabe até na nossa genética. É muito forte o que sinto todas as vêzes qe ponho os pés nesse lugar que considero sagrado.
O jardim nos faz recordar dos filmes que assistimos na adolescência, onde eram retratados aqueles jardins magníficos dos Palácios Imperiais da Europa. Logo tiramos as primeiras fotos buscando o melhor ângulo, aquele que irá retratar com fidelidade as curvas, as flores, a fonte, as árvores e os arbustos.
Vivi de perto com a alma transfigurada de emoção a santa trilogia do Caraça: o silêncio – a solidão – a serenidade”. Tristão de Ataíde, 1938, no “livro de ouro” do Caraça, p.37 v.
É muito interessante, toda vez que vou visitar as dependências do Santuário em determinados lugares fico arrepiado. Mostrei para a Patrícia. É uma sensação gostosa. Não sei e não quero saber de nenhuma explicação exotérica. Acredito que seja a emoção aflorando, fluidos produzidos pelo sentir, a transbordar pelos poros. Não tenho controle sobre esse fenômeno bio-psiquico-fisiológico. Gosto de visitar as Catacumbas. A Patrícia, não quer. Tem medo. Eu não compreendo, é um atrativo turístico que integra as atrações culturais. Convenço-a de entrarmos. Ascendo as luzes, e a medida que vamos entrando no “túnel” outras luzes vão se ascendendo, automaticamente, iluminando a galeria. Enxergamos o altar no final onde está uma imagem de Nossa Senhora e algumas flores, colocadas, provavelmente, por alguns descendentes dos que estão ali enterrados.
Fazemos uma breve oração para os mortos. Tiro umas fotos. Na saida tentamos entender os símbolos exposto no “hall” de entrada.
Saimos da breve visita à Catacumba. Patricia fica aliviada, mas parece que gostou da sensação. Nossa mente e o medo é que nos impede de nos aventurarmos em lugares desconhecidos. Parece que Ela quebrou um tabu. Visitamos o jardim interno. Por sugestão de um Padre fomos cheirar umas flores que segundo Ele tinha cheiro de mel. Verdade! Fui cheirar as deliciosas camélias. Que perfume, maravilhoso! Fomos conferir as horas no “relógio do sol”. Estava muito nublado e não deu para checar as horas (rsrsrsrs). Mas dizem que o relógio funciona corretamente e é muito preciso. Fomos visitar o interior da Catedral, os vitrais, o orgão de tubos, o quadro da Santa Ceia pintado pelo Mestre Ataíde. No hall de entrada do Santuário alguns quadros antigos sobre a história do Caraça. Um exemplar da Bíblia em Latin, móveis de madeira de lei e o livro de visitas “não ilustres”. Assinei para registrar minha presença, mais uma vez (e com certeza não será a última!) Não me lembro se a Patricia assinou! Será que Ela vai querer voltar? Por volta das 18:00 horas subimos para jantar. Ah! que vontade de degustar a deliciosa culinária do Caraça novamente, o arroz, o feijão, o tomate e o alface (direto da horta local), as carnes…opa: esquecemos, era quarta feira de cinzas. Não se come carne nesse dia. Mas o arroz e feijão estavam lá, sobre o fogão a lenha. Que fome!!! A noite promete. Parou de chover e está um friosinho gostoso…Até amanhã, quando relatarei o segundo dia da nossa estadia no Parque Natural do Caraça. Boa noite a todos.

Publicado em Arte | Com a tag | 2 Comentários

Meu niver no Caraça

9 de março de 2011, quarta-feira de cinzas, meu aniversário. 55 anos!!!
Desde que conheci o Caraça comecei a sonhar em passar mais do que um final de semana naquele lugar, que tornou-se sagrado para mim. Local de profunda paz e de natureza preservada o Parque Natural do Caraça fica distante 120 km de Belo Horizonte, com acesso pela BR-381 (BH – Vitória).

Desde que restauraram o casarão e o disponibilizaram como opção de hospedagem, tenho ficado nele por ser mais sossegado, uma vez que o prédio do Santuário está sempre cheio. Uma questão de “egoísmo” mesmo. Ficando na Fazenda do Engenho tenho a impressão de estar isolado num cantinho do Parque só meu. O Casarão fica à direita, logo na entrada do Parque, à cerca de 10 km do Santuário. O acesso é por uma pequena estrada de terra, pois fica nas terras de uma fazenda: bois, vacas, galinhas, pavões, cavalos, gato, cachorro, árvores frutíferas, etc, compondo a bucólica paisagem. Compondo a sinfonia da paz e do amor.
Dessa vez fui presenteado por Deus. Resolvi comemorar meu aniversário de 55 anos lá. Quarta-feira de cinzas!

O carnaval terminou na terça, 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Não tinha ninguém hospedado lá!!!
Uma visita de 4 dias. Enfim, vou realizar meu sonho: conhecer a Cascatona (trilha de 6km), o Cruzeiro (800 metros, mas que é uma verdadeira escalada), a Pedra da Preguiça (uns 4 km), no caminho para o Desfiladeiro da Bocaina (o pescoço do gigante – 5 km), de onde se tem uma bela vista da Caraça e da Serra (dá para ver a Capelinha, a Cascatinha, o Pico do Sol e o Inficionado), subir pela segunda vez até a Capelinha (2 km de subida) e tirar minhas fotos. Choveu muito, mas não atrapalhou a progamação e os passeios. Apenas adiou. Não foi possível ir à Cascatona nem ao Desfiladeiro da Bocaina. Em compensação, conheci a parte alta do Taboões. Maravilha!!! Um poção para nadar que é uma verdadeira piscina de água corrente e menos fria que as águas da parte alta do Parque. Espero voltar para nadar nessas águas.

Minha estadia no Santuário do Caraça foi uma experiência enriquecedora, combinando história, natureza e espiritualidade. Recomendo a todos que buscam um refúgio tranquilo e cheio de significado que visitem este lugar singular.

Para mais informações sobre o Santuário do Caraça, visite o site oficial: https://santuariodocaraca.com.br/

Publicado em Viagens | Com a tag | 3 Comentários

Subindo para o Caraça com Elvis

Publicado em Viagens | Com a tag | Deixe um comentário

4 dias no Caraça – 09 a 13 de março de 2011

Conheci o Caraça no reveillon de 1979. Fui passar o final de ano na fazenda de um colega da faculdade na Cidade de Santa Bárbara e, no dia 1 de janeiro fomos conhecer o “Santuário”. Nunca tinha ouvido falar! Mas meu colega, como era da região, sabia dos segredos e das belezas naturais ocultas entre as montanhas da propriedade. Subimos a Serra por estrada asfaltada (o asfalto chegou em 1975 – a inauguração oficial ocorreu em 10 de agosto de 1975).
Foi amor a primeira vista. Fiquei apaixonado pelo local e uma “misteriosa química rolou” entre minha alma e a energia emanada da mata, do rio, do imponente prédio da Igreja, das ruinas da biblioteca (que foi destruída por um incêndio em 28 de maio de 1968). Logo fui pesquisando sobre sua história. Qual a origem de uma construção magnífica como essa? Assuntei, comprei logo dois livros na lojinha, visitei o Museu, que na época funcionava dentro das dependências do Colégio.

Não me lembro com exatidão, sei que, uns 15 dias depois, voltei com minha namorada e uma amiga de colégio para fazermos uma inspeção mais detalhada do local e fazer minhas primeiras fotos. Subimos a serra num TL azul ano 1974. Mais uma vez senti uma “coisa estranha” em relação àquele lugar. Em alguns lugares chegava a arrepiar, uma sensação gostosa, uma saudade, sei lá.
Nessa primeira visita “consciente” pude constatar a necessidade urgente de providências relacionadas a preservação desse patrimônio natural, cultural e artístico, o qual faz parte da história de Minas Gerais, porque não do Brasil. Fiquei desolado com o impacto causado pelos excursionistas de fim de semana, que iam (e ainda vão) ao local para extravasar as tensões do cotidiano. O certo é que o turismo sem critério levava a uma deterioração das dependências e poluiam o meio ambiente. Providências foram tomadas para impedir o turismo predatório. O Caraça é um lugar sagrado, onde a energia amorosa é muito forte, que deve ser compartilhado com todos, mas que precisa ser respeitado e preservado.
Fato é que, sempre que me sinto “desenergizado” volto lá para reabastecer de energia vital. No Santuário alimentamos a alma e fortalecemos o espírito.

Publicado em Viagens | Com a tag | 3 Comentários

Pensamento da sexta-feira em vídeo.

Nunca deixe que ninguém diga a Você o que Você tem que fazer. Se Você acredita numa coisa, e acredita nessa coisa de coração, e Você sabe que essa coisa é importante para Você e que não vai prejudicar a ninguém, machucar a ninguém, vai em frente e faça. Do seu jeito!

Publicado em Saúde e bem-estar | 1 Comentário

Palavras

Se você está lendo isso, mesmo que a gente não se fale com frequência, envie um comentário da primeira lembrança que te vem à cabeça.

Publicado em Passatempos | Deixe um comentário

Exposição Jardines Impresionistas – Thyssen

Jardines impresionistas_Thyssen (clique para baixar a apresentação em .pps dessa magnífica exposição: “jardinesimpresionistas” de 16 de novembro de 2010 a 13 de fevereiro de 2011 no Museo Thyssen. Uma parceria com a Fundação Caja Madrid.

Façam uma visita virtual:  http://www.museothyssen.org/microsites/exposiciones/2010/Jardines-impresionistas/vv/index.htm

O Museu Thyssen e Fundação Caja Madrid volta seu olhar para o Impressionismo. Mas desta vez abordando sobre o assunto de sua paixão por jardins, uma das regiões mais inexploradas dos impressionistas, mas curiosamente pouco estudados em amostras que têm dedicado. Por este motivo, organizou a exposição com 130 obras dos mestres do grupo (Manet, Monet, Renoir, Pissarro, Sisley precursores …), com artistas (Delacroix, Corot, Millet e Bazille, entre outros) e a primeira hora pós-impressionistas (Van Gogh, Nolde, Munch, Klimt, Bonnard, mas também espanhol Sorolla y Regoyos), incluindo alguns nomes-chave na linha de frente como Ernst e Malevich … Desde a década de 1860, os jardins eram muito populares na França. A introdução e circulação de centenas de espécies de plantas e flores “novo” da Ásia, África e América, bem como a abertura ea abertura do primeiro Royal Parks, estimulou um grande “movimento de horticultura”. Cultivar e desfrutar as flores em um jardim de decoração e de lazer tornou-se um passatempo favorito desde meados do século XIX, que não escapou ao grupo de pintores impressionistas, muitos partilhavam este hobby, (Monet, Calleibotte, Guillaumin) troca de dicas de jardinagem e experiências, e criar seus próprios “jardins do artista.” Com seu gosto pela cor, trabalho ao ar livre, os efeitos de luz e de temas da vida moderna, os impressionistas e seus seguidores levavam flores naturais, parques e jardins como motivo de arte e frequente fonte de inspiração. O jardim pode ser uma área de lazer, uma área que compreende de privacidade, de um lugar para criar beleza com plantas, mas também pode ser uma vingança da natureza como um elemento produtivo. Daí a atenção para o jardim, o local de cultivo, especialmente interessado em Pissarro, “o pintor das couves”, que gostava de pintar os jardins e os agricultores de trabalho, ele apreciava mais do que o burguês passeando por sua decoração do jardim.

Publicado em Arte | Deixe um comentário