Inspirado em 2 Samuel 12:1-31

O espelho da consciência

Às vezes, é mais fácil perceber o erro de outra pessoa do que reconhecer o nosso. Observamos uma situação, julgamos, criticamos e rapidamente identificamos o que deveria ter sido feito diferente. Mas, quando a mesma situação revela algo sobre nós, a percepção pode mudar. O autoconhecimento começa quando conseguimos trocar a pergunta: “Quem está errado?” por: “Qual é a minha participação nisso?”

Reconhecer um erro não significa se condenar. Significa separar comportamento de identidade. Eu posso ter tomado uma decisão ruim sem ser uma pessoa ruim. Posso ter reagido de maneira inadequada e aprender outra forma de reagir. Posso ter errado e ainda assim continuar capaz de mudar. Outro ponto importante é aceitar os limites do controle.

O passado não pode ser corrigido pela repetição mental do acontecimento. A ruminação pode manter a pessoa presa ao que já aconteceu, enquanto a ansiedade pode projetá-la continuamente para aquilo que ainda não aconteceu. O presente é o ponto de intervenção. Perguntar: “O que posso fazer agora?” é mais funcional do que permanecer perguntando: “Por que isso aconteceu?” ou: “E se eu tivesse feito diferente?”

Nem tudo pode ser reparado. Nem toda consequência pode ser desfeita. Algumas situações precisam ser aceitas antes que seja possível seguir adiante. Mas quase sempre existe alguma escolha disponível: uma conversa, um limite, um pedido de desculpas, uma mudança de comportamento, uma decisão adiada, ou simplesmente o compromisso de não repetir o mesmo padrão.

Para a ansiedade:

Não é necessário ter certeza sobre o futuro para agir no presente.

Para decisões:

Não é necessário encontrar a escolha perfeita. É necessário avaliar as informações disponíveis, reconhecer os riscos e escolher conscientemente.

Para o recomeço:

Não é necessário apagar o passado. É necessário aprender com ele e construir uma resposta diferente. O passado oferece experiência. O presente oferece escolha. A repetição das escolhas constrói mudança.

A pergunta final é simples: “O que eu já consigo enxergar em mim que antes eu preferia não ver — e o que posso fazer diferente a partir disso?”

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About Tropo

Tetraneto do Padre Manoel Moreira Maia. Neto de Ricciotti Volpe e Leonor Costa Volpe.
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